Entender como a inflação impacta suas aplicações financeiras é fundamental para manter o poder de compra e garantir a saúde do seu patrimônio ao longo do tempo.
A inflação é o aumento generalizado e contínuo dos preços de bens e serviços em uma economia. Esse fenômeno corrói o valor da moeda e reduz o poder de compra do investidor, exigindo atenção constante de quem busca preservação de capital.
No Brasil, o índice oficial utilizado para medir esse movimento é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O Banco Central estabelece uma meta anual de 3%, com tolerância de até 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
As projeções mais recentes indicam que o IPCA para 2025 deverá ficar entre 4,70% e 4,72%, enquanto a estimativa para 2026 gira em torno de 4,27%. No acumulado de 12 meses até outubro de 2025, a inflação alcançou 4,68%.
Para conter essas pressões, o Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano em novembro de 2025. Apesar de sinais de desaceleração, essa medida visa controlar expectativas e evitar acelerações no processo inflacionário.
Em períodos de alta inflação, produtos de renda fixa prefixada podem apresentar rendimento real negativo se a taxa contratada for inferior ao índice oficial. Por outro lado, títulos indexados ao IPCA, como o Tesouro IPCA+, oferecem rentabilidade acima da inflação, protegendo o capital investido.
No mercado de ações, companhias capazes de repassar custos ao consumidor tendem a proteger o acionista contra a perda de valor. Setores essenciais, como energia, saúde e alimentos, costumam apresentar margem mais estável em cenários inflacionários.
Fundos imobiliários e contratos de aluguel também se beneficiam da correção monetária. Já o ouro e outras commodities são considerados ativos reais de preservação de valor, pois acompanham o movimento geral de preços.
A diferença entre a taxa de juros nominal e a inflação define os juros reais, ou seja, o rendimento efetivo do investidor. Juros reais negativos desestimulam a poupança e impactam diretamente no crescimento econômico.
O aumento da Selic, adotado para conter a escalada dos preços, encarece o crédito e reduz investimentos produtivos. Esse ciclo gera incertezas, afeta a confiança de investidores e pode levar à desaceleração da atividade econômica.
Para preservar seu patrimônio em ambiente inflacionário, adote as seguintes práticas:
Reavalie seu portfólio a cada seis meses, ajustando posições que não acompanhem pelo menos o rendimento do IPCA.
Entre janeiro de 2022 e maio de 2023, um investimento que combinou taxa pós-fixada de 10,8% ao ano com a inflação de 5,1% registrou retorno total anualizado de 15,6%. Esse exemplo demonstra o poder de compor juros reais positivos.
Produtos garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) asseguram até R$ 250 mil por instituição, reduzindo o risco de crédito e oferecendo mais segurança em investimentos de renda fixa.
Antes de qualquer aplicação, avalie o risco do emissor em títulos privados. Investimentos indexados à inflação podem ter menor liquidez, trazendo custos em resgates antecipados.
No curto prazo, ações e fundos de ativos reais podem oscilar significativamente. Mantenha disciplina e foco no horizonte de longo prazo para atravessar períodos de volatilidade.
Fique atento ao cenário fiscal e externo, pois mudanças nas contas públicas e no mercado internacional podem alterar a trajetória da inflação e dos juros.
A inflação corrói gradualmente os rendimentos não protegidos, especialmente em produtos prefixados e na poupança tradicional. Para manter o poder de compra, priorize investimentos indexados ao IPCA e diversifique sua carteira.
Acompanhe indicadores oficiais, como IPCA e decisões do Banco Central, e renegocie contratos com cláusulas de correção monetária sempre que possível. Essas atitudes garantem proteção contra a corrosão inflacionária e promovem resultados mais sólidos.
Por fim, conte com orientação profissional ao planejar estratégias mais complexas e ajuste suas escolhas conforme seu perfil e objetivos de investimento.
Referências