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A Influência da Selic nos Juros dos Seus Empréstimos

A Influência da Selic nos Juros dos Seus Empréstimos

19/01/2026 - 09:44
Robert Ruan
A Influência da Selic nos Juros dos Seus Empréstimos

Você já sentiu o peso das parcelas do seu empréstimo aumentando sem entender exatamente o motivo? A resposta quase sempre está na taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. Este artigo esclarece como ela funciona, por que o Comitê de Política Monetária (Copom) ajusta esse indicador e de que forma essas mudanças repercutem no seu bolso.

Importância da Selic no dia a dia

A Selic influencia não apenas empréstimos e financiamentos, mas também as aplicações financeiras de pessoas e empresas. Quando você investe na renda fixa, por exemplo, a rentabilidade costuma acompanhar as oscilações da Selic.

Da mesma forma, na hora de contratar um crédito, seja para trocar o carro, reformar a casa ou capital de giro da sua empresa, as taxas cobradas pelos bancos se baseiam nesse referencial. Entender esse elo é fundamental para planejar seu orçamento e suas decisões financeiras.

O que é a Selic

A Selic, sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, é definida pelo Copom do Banco Central. Ela representa a média dos juros das operações diárias de compra e venda de títulos públicos entre instituições financeiras.

Basicamente, quando o Copom decide aumentar ou reduzir a Selic, ele busca controlar a inflação e sinalizar para o mercado a direção da política monetária. Desde agosto de 2024, o movimento tem sido de aperto, elevando a Selic para 15% em novembro de 2025, o maior nível dos últimos 20 anos.

Como a Selic influencia os juros bancários

O principal canal de transmissão ocorre porque os bancos precisam pagar mais para captar recursos quando a Selic sobe. Esse custo maior é repassado aos clientes sob a forma de juros mais altos em empréstimos e financiamentos.

  • Mecanismo de transmissão dos custos bancários: eleva o valor do dinheiro captado pelos bancos.
  • Defasagem de três a seis meses: o impacto da mudança na Selic leva tempo para chegar ao consumidor.
  • Fatores adicionais: custos operacionais, inadimplência, tributos e spread bancário.

Em geral, a elevação de 1 ponto percentual na Selic resulta em alta de 0,7 ponto percentual nos juros ao consumidor, após alguns meses de adaptação.

Impactos em diferentes modalidades de crédito

  • Consignado: possui tetos regulatórios e menor sensibilidade à Selic.
  • Crédito pessoal: reflete diretamente o custo de captação, sofrendo variações proporcionais.
  • Financiamento imobiliário: cada ponto na Selic afasta cerca de 160 mil famílias do mercado.
  • Empréstimo empresarial: muito sensível, especialmente após reformas que ajustaram taxas do BNDES.

Entre 2019 e 2024, aproximadamente 800 mil famílias perderam elegibilidade para financiar imóveis de até R$ 500 mil. A restrição ao crédito imobiliário se evidencia na queda de 20,5% nos financiamentos até setembro de 2025, em comparação ao ano anterior.

Comparativo de Sensibilidade

Dados atuais e tendências

Em 2024, o crédito bancário cresceu 11,5%, impulsionado pelo aumento de renda e expansão das fintechs. No entanto, desde abril de 2025, percebe-se uma desaceleração no ritmo de concessão de novos empréstimos, reflexo direto da política monetária mais restritiva.

A saída líquida da poupança aumentou 403,6% no período de janeiro a outubro de 2025, comprovando a migração de investidores para aplicações mais atrativas em cenários de Selic elevada.

Efeitos sobre economia e sociedade

O encarecimento do crédito gera impactos profundos:

  • Redução do poder de compra das famílias, que adiam investimentos e consumo.
  • Alerta no setor empresarial, que posterga projetos de expansão.
  • Elevação da inadimplência acima de 30% em segmentos vulneráveis.

Atualmente, 80% das famílias brasileiras estão endividadas, com inadimplência de 30,4% segundo dados recentes. Esses números revelam o desafio de equilibrar o controle da inflação sem sufocar a economia.

Perspectivas e cenários futuros

A manutenção da Selic em patamares elevados depende do comportamento da inflação e das expectativas do mercado. Caso os preços continuem subindo acima da meta, o Banco Central poderá segurar ou até elevar ainda mais a taxa.

Por outro lado, sinais de desaceleração inflacionária e melhora na atividade econômica podem estimular cortes graduais, aliviando o custo do crédito para empresas e consumidores.

Como se preparar e agir

Em um cenário de juros altos, é fundamental adotar estratégias para proteger seu planejamento financeiro:

  • Reavalie compromissos de longo prazo e priorize dívidas com juros mais caros.
  • Negocie prazos e taxas junto às instituições financeiras.
  • Considere alternativas de crédito mais baratas, como consórcios ou fundos de investimento.

Conclusão

Entender o papel da Selic e seu impacto nos juros dos empréstimos é essencial para tomar decisões financeiras informadas. As altas da taxa têm efeito direto no custo do crédito e no consumo das famílias, mas também são instrumento-chave para controlar a inflação.

Ficar atento aos movimentos do Copom, diversificar investimentos e planejar o uso do crédito são práticas que ajudam a minimizar riscos e aproveitar oportunidades em qualquer cenário de taxa de juros. Com esse conhecimento, você estará mais preparado para enfrentar oscilações e proteger seu orçamento.

Robert Ruan

Sobre o Autor: Robert Ruan

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