Você já sentiu o peso das parcelas do seu empréstimo aumentando sem entender exatamente o motivo? A resposta quase sempre está na taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. Este artigo esclarece como ela funciona, por que o Comitê de Política Monetária (Copom) ajusta esse indicador e de que forma essas mudanças repercutem no seu bolso.
A Selic influencia não apenas empréstimos e financiamentos, mas também as aplicações financeiras de pessoas e empresas. Quando você investe na renda fixa, por exemplo, a rentabilidade costuma acompanhar as oscilações da Selic.
Da mesma forma, na hora de contratar um crédito, seja para trocar o carro, reformar a casa ou capital de giro da sua empresa, as taxas cobradas pelos bancos se baseiam nesse referencial. Entender esse elo é fundamental para planejar seu orçamento e suas decisões financeiras.
A Selic, sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, é definida pelo Copom do Banco Central. Ela representa a média dos juros das operações diárias de compra e venda de títulos públicos entre instituições financeiras.
Basicamente, quando o Copom decide aumentar ou reduzir a Selic, ele busca controlar a inflação e sinalizar para o mercado a direção da política monetária. Desde agosto de 2024, o movimento tem sido de aperto, elevando a Selic para 15% em novembro de 2025, o maior nível dos últimos 20 anos.
O principal canal de transmissão ocorre porque os bancos precisam pagar mais para captar recursos quando a Selic sobe. Esse custo maior é repassado aos clientes sob a forma de juros mais altos em empréstimos e financiamentos.
Em geral, a elevação de 1 ponto percentual na Selic resulta em alta de 0,7 ponto percentual nos juros ao consumidor, após alguns meses de adaptação.
Entre 2019 e 2024, aproximadamente 800 mil famílias perderam elegibilidade para financiar imóveis de até R$ 500 mil. A restrição ao crédito imobiliário se evidencia na queda de 20,5% nos financiamentos até setembro de 2025, em comparação ao ano anterior.
Em 2024, o crédito bancário cresceu 11,5%, impulsionado pelo aumento de renda e expansão das fintechs. No entanto, desde abril de 2025, percebe-se uma desaceleração no ritmo de concessão de novos empréstimos, reflexo direto da política monetária mais restritiva.
A saída líquida da poupança aumentou 403,6% no período de janeiro a outubro de 2025, comprovando a migração de investidores para aplicações mais atrativas em cenários de Selic elevada.
O encarecimento do crédito gera impactos profundos:
Atualmente, 80% das famílias brasileiras estão endividadas, com inadimplência de 30,4% segundo dados recentes. Esses números revelam o desafio de equilibrar o controle da inflação sem sufocar a economia.
A manutenção da Selic em patamares elevados depende do comportamento da inflação e das expectativas do mercado. Caso os preços continuem subindo acima da meta, o Banco Central poderá segurar ou até elevar ainda mais a taxa.
Por outro lado, sinais de desaceleração inflacionária e melhora na atividade econômica podem estimular cortes graduais, aliviando o custo do crédito para empresas e consumidores.
Em um cenário de juros altos, é fundamental adotar estratégias para proteger seu planejamento financeiro:
Entender o papel da Selic e seu impacto nos juros dos empréstimos é essencial para tomar decisões financeiras informadas. As altas da taxa têm efeito direto no custo do crédito e no consumo das famílias, mas também são instrumento-chave para controlar a inflação.
Ficar atento aos movimentos do Copom, diversificar investimentos e planejar o uso do crédito são práticas que ajudam a minimizar riscos e aproveitar oportunidades em qualquer cenário de taxa de juros. Com esse conhecimento, você estará mais preparado para enfrentar oscilações e proteger seu orçamento.
Referências